DA AFECÇÃO À INTELECÇÃO
DO OBSTÁCULO DOS SENTIMENTOS À INVESTIGAÇÃO FILOSÓFICA
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21452142Palavras-chave:
Filosofia; Epistemologia; Intelecto; Afecção; Conhecimento; Aristóteles; Tomás de Aquino.Resumo
O artigo sustenta que o sentimento, embora constitua uma dimensão legítima da experiência humana, não pode ser elevado à condição de critério do conhecimento nem da verdade. A partir da tradição aristotélico-tomista, demonstra-se que a experiência afetiva manifesta primariamente os estados interiores do sujeito, ao passo que o conhecimento exige a apreensão intelectiva da realidade mediante a abstração da forma inteligível. Para evidenciar essa distinção, contrapõe-se a experiência emocional de quem contempla o mar pela primeira vez ao conhecimento objetivo adquirido pelo marinheiro ao longo de sua convivência com o oceano. Em seguida, analisa-se o processo cognoscitivo descrito por Aristóteles e desenvolvido pela Escolástica, ressaltando o papel da sensação, da memória, da experiência, da imaginação e do intelecto na constituição do conhecimento. Critica-se, ainda, o sentimentalismo contemporâneo, entendido como a absolutização das afecções e sua indevida identificação com a intelecção. Por fim, argumenta-se que tanto o conhecimento quanto o amor autênticos exigem a superação da subjetividade afetiva e a conformidade da inteligência à realidade objetiva do ser, fundamento indispensável da investigação filosófica, da vida moral e da contemplação da verdade.